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A propaganda como entretenimento

Com a popularização da internet e maior acesso à informação, a concentração do espectador se tornou pulverizada. A mente dos indivíduos absorve informações da mesma forma que a internet a distribui: num fluxo intermitente de milhares de fragmentos.

Assim houve uma alteração em nossos hábitos mentais. Se antes era possível mergulhar durante horas em um único conteúdo, hoje essa capacidade de imersão está cada vez menor. E é justamente o que estamos vivendo agora: nossa forma de pensar, planejar, pesquisar e concentrar é diretamente influenciada pela internet.  

Esta mudança também é refletida nos comerciais. Temos acesso à milhares de propagandas e a maioria passa despercebida porque criamos mecanismo mentais para bloqueá-las automaticamente. Pop-ups que saltam em nossas telas são simplesmente ignorados e várias vezes estamos ouvindo a TV ao mesmo tempo em que mexemos no celular. Com isso, as propagandas se tornaram cada vez mais invisíveis.

Para driblar esse processo mental, os anúncios começaram a passar experiências aos seus consumidores. Os espectadores começam a se ver nos filmes, se sentindo pertencentes aquele contexto. Os criativos publicitários empregam estratégias do cinema para despertar sensações a quem assiste, assim, diversos diretores do cinema adentraram ao mercado publicitário. O que era apenas um acessório nos meios de comunicação, se tornou entretenimento e começamos a nos sentir - verdadeiramente - parte daquele universo.

A transição do produto como objeto de desejo passou para a experiência das marcas. A simplicidade e a captura da percepção se tornou a nova aptidão comunicativa da propaganda.

O ponto crucial dessa discussão é que, por mais que estejamos em uma sociedade excitada com tanta informação, se a propaganda for feita para passar uma experiência a seus consumidores, para ser uma forma de entretenimento, para impactar e realmente fazer o consumidor se sentir pertencente àquela realidade, ela será promissora.

Christoph Türcke, em seu livro “Sociedade Excitada: filosofia da sensação” fala justamente disso. "Ou seja, se tudo o que não está em condições de causar uma sensação tende a desaparecer sob o fluxo de informações, praticamente não sendo mais percebido, então isso quer dizer, inversamente, que o rumo vai na direção de que apenas o que causa uma sensação é percebido."

Por Letícia Benevides

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